"But that's all. I never loved your voice hoarse or your way of being great. I never loved your blue sweatshirt or your whispered words. Never loved you. But he always lied. "Ana F.
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 Hoje eu descobri que talvez possua medo. Talvez eu possua um medo danado de não te ver aqui aos domingos à tarde correndo atrás do meu cachorro igual a um idiota — o meu idiota. Só talvez, porque eu realmente nunca dou o braço a torcer. Mas, eu te preciso. Eu te preciso para atravessar aquela larga avenida enquanto o sinal ainda está aberto. Recordo-me que tu vociferavas continuamente que um dia um ônibus ainda nos atropelaria. Já havia até me acostumado com essas tuas brincadeiras idiotas, meu amor. Ainda preciso delas. Às vezes sinto como se minha mente registrasse milhares de fotos. Fotos nossas, de vários ângulos, em vários lugares. E eu sei, sei que tenho medo de sentir tanto a tua falta, como se tu tiveste partido para longe, quando ainda permaneces tão perto. Idiota, tenho a certeza de que tu deves estar se divertindo aí com esse teu vídeo game caro e ligando pra inúmeras outras garotas. Decerto nem deves sentir a minha falta, mas a verdade é que quando estou contigo é como se eu fosse uma parede de vidro; tu me enxergas por completo e às vezes me decifra rápido demais, e antes que pudesse pensar que a nossa história sempre seguiria a mesma rotina, lá te enxergava ao longe. De lá tu vinhas e me surpreendias. Sempre. Tudo bem, eu sei que tu deves estar naquele teu bar preferido, aquela tua espelunca preferida, mas eu deveria estar te beijando agora. Confesso-te que tenho medo, medo de nunca mais poder te falar o quão engraçada é a tua risada, e o quanto ela me faz sorrir também. Tenho medo de não te ter mais na minha cama nas manhãs ensolaradas, ou nos fins de tarde frios. Tenho um quase que incontrolável medo de não ser mais capaz de te tocar, de que tu me esqueças. Nós nadamos por todo aquele oceano e perdemos o controle. Cá estamos nós. Não quero as nossas coisas pela metade, não gosto de te ter apenas em partes — ou talvez nem isso. Mas eu tenho mesmo um medo incontrolável de te perder. Já se passaram quinze minutos e tu deves estar virando a esquina, mas e se você não voltar mais? Não quero vestígios de nosso passado em meu coração para martirizar-me no futuro. E mesmo que tu já estejas chegando em casa e já estejas pensando em me mandar uma mensagem; isso não me importa, eu te preciso por inteiro. Não me contento em saber que tu me queres apenas por uma noite, para me usar e jogar fora. Mas, meu amor, não é realmente isso que me incomoda. Entristece-me saber que não sou única. E de fato não deveria ser. Talvez não tenhamos sido feitos um para o outro, não concordas? Talvez não valha a pena lutar por algo que ambos sabemos que não dará certo. Pude abrir a janela e avistar-te ao longe. Não pude ceder ao impulso de ficar a mirar-te ali, como uma idiota que perdera algo no meio da rua. Eu sabia bem que tu não estavas correndo em minha direção, mas era como sonhar acordada com um momento impossível de ser realizado. Idealizei a imagem de tua chegada — mesmo sabendo que tu nunca virias — e peguei-me sorrindo como uma boba. Eu estava me iludindo. Não deveria. Está tudo acabado e eu bem sabia disso. “A esperança é a última que morre.” Agora posso entender, pois mesmo sabendo que tu não voltarias, não era capaz de desistir, mesmo quando deveria. O nosso velório já haveria de ter acontecido. Nós morremos há muito — e, meu amor, fora o nosso término. O nosso fim. O fim mais belo de todos. Contive minha vontade repentina de te ligar, pois sei bem que cederia ao impulso de te pedir para voltar. Mas meu amor, eu me magoaria novamente. Tu não foste feito para mim, e embora eu te precise demasiadamente, nós nunca daríamos certo. E embora eu te querendo por inteiro, preciso aprender a me contentar com o nada — afinal, fora tal que nós nos tornamos. Nada. Agonizo com a simples ideia de não poder te ter novamente. As lembranças de tua voz me enlouquecem, mas eu não poderia ceder ao impulso de te ligar. Não agora, pois sei bem que as lágrimas rolariam e tu me consolarias com aquele teu jeito conquistador. Virias até mim e dirias que sentes muito. Eu me machucaria novamente, e tenho medo. Tenho medo de tentar, pois tu dizias me amar, mas pudeste me assistir desabar e nada fizeste. A verdade é que eu ao menos sei o que tu significas para mim, mas ainda te espero, meu amor. De braços erguidos ainda te espero. Erica S. + Gabriela Q. (Fragmentados)


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